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O tímido (mas promissor!) mercado de ETFs

Por Karina Gerhardt, CFP® *,
em 26/09/2019

Na semana em que o Itaú lança ao mercado dois novos ETFs de renda fixa, totalizando agora 20 fundos de índices listados na B3, fica a pergunta: você já ouviu falar em ETF? Seu gerente alguma vez lhe propôs alocar parte de seus recursos nestes ativos?

“Uma opção simples e barata, que utiliza o bom senso para se ter sucesso nos investimentos” era a opinião de John C. Bogle, fundador do Vanguard Group.

Ainda pouco conhecidos no mercado brasileiro, os Exchange Traded Funds (ETFs) são fundos abertos negociados em bolsa que buscam replicar índices, investindo em ativos que compõem este determinado indicador. Podem ser índices de renda fixa ou variável, desde que publicados por um provedor independente, como a B3, Anbima e S&P, por exemplo.

Apesar dos investidores do mercado de ETFs no Brasil serem ainda predominantemente institucionais (77%), o número de pessoas físicas ingressantes é cada vez maior, interessados nos benefícios que oferecem.  Com estrutura de um fundo de investimento, os ETFs são simples e versáteis, negociados com menores custos e taxas, spreads reduzidos, transparência na formação de preços, liquidez, arbitragem de baixo custo, diversificação de carteira e maior eficiência, garantindo agilidade e segurança aos seus investidores.

Utilizando o mesmo raciocínio do mercado de ações, os ETFs podem ser negociados no mercado primário, direto com o administrador do fundo, mais comum entre os investidores institucionais, ou no mercado secundário, com negociações diárias por meio de lotes padrão, sem a emissão ou resgate de cotas. A formação de preço neste mercado varia de acordo com a cotação da cesta de ativos que compõe o ETF, e também às pressões de oferta e demanda pelo fundo no pregão. Podem ser adquiridos através de corretoras e home broker, com custos de corretagem e custódia que variam de acordo com cada instituição, além dos emolumentos da B3 e taxa de administração que já é descontada do valor da cota do fundo.

Os riscos dessas operações estão diretamente relacionados com a cesta de ativos a qual o ETF busca replicar, mas também sujeitos a riscos de mercado, como volatilidade e perdas patrimoniais, e riscos de liquidez, apesar de menos expressivos. A tributação ocorre de forma semelhante a ativos de renda fixa (tabela regressiva) e variável (15% sobre o ganho de capital) quando da alienação das cotas, sendo que neste segundo caso difere das ações no que diz respeito a isenção para vendas mensais até R$ 20 mil e compensação de perdas. Não possui come-cotas nem IOF.

Taxas e impostos mais baixos resultam em maiores sobras para reinvestir. Em uma carteira hipotética com investimento inicial de R$ 250 mil, reinvestindo dividendos e ganhos de capital, e já deduzidos todos os custos, é possível economizar cerca de R$ 60 mil ao longo de 10 anos.

grafico ETF

 

O primeiro ETF no mundo foi lançado em 1990 no Canadá, e em seguida, em 1993, os Estados Unidos criaram seu primeiro fundo de índice, com objetivo de replicar o S&P 500. O SPY é até hoje o maior ETF do mundo, com patrimônio aproximado de US$ 260 bilhões. No Brasil, o primeiro ETF foi lançado em 2004 pelo BNDES, e desde então já existem 14 ETFs referenciados a índices de ações locais, 2 a índices estrangeiros e 4 ETF de renda fixa, permitindo ao investidor maior diversificação na exposição de sua carteira. Um dos mais conhecidos e negociado é o BOVA11, administrado pela gestora americana BlackRock, que busca replicar o Ibovespa.

Se comparado com a indústria de fundos no Brasil, de R$ 5,3 trilhões em agosto de 2019, os ETFs têm uma representatividade de meros 0,5%. Ainda assim, com um PL de R$ 20 bilhões, o nível de negociação dos ETFs em agosto atingiu o mesmo volume, com um altíssimo giro e somando mais que o dobro do volume negociado em 2018.

Nos Estados Unidos sua representatividade é bem mais significante, com mais de 2 mil ETFs disponíveis no mercado, ativos que somam um valor de US$ 6 trilhões. A nível global representam 10% dos ativos, prestes a dobrar para US$ 12 trilhões até o final de 2023 e, possivelmente, atingir US$ 25 trilhões até o final de 2027.

Estes números evidenciam que investidores globais estão buscando a mais alta qualidade em ativos, menores custos, e recorrendo cada vez mais a gestores patrimoniais independentes, que oferecem taxas de remuneração transparentes e sem conflitos de interesse, ao invés de taxas indiretas de corretagens e comissões, sempre embutidas nos preços dos ativos.

De Tony Robbins a Warren Buffett, o conselho é claro e convicto: investir continuamente em fundos passivos de índice é uma das melhores e mais sólidas opções de aumentar a rentabilidade da sua carteira, de maneira barata e sem se expor aos riscos de uma única empresa ou das tentativas de acertar compras/vendas individualmente.

*Karina Gerhardt, CFP®
Sócia e Head de Operações da SameSide

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